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This story was created with Twine and is powered by TiddlyWiki. The Responsive Story Format is by Emmanuel King Turner. Twitter: @stormrose
<b><h2>Efeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.</h2></b>\n\n\n<i><small> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando o cenário e a história se modificam, num efeito dominó, seus personagens<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;começam a evoluir também. Isso não significa que não haja qualquer resistência...</small></i>\n\n\n<p>As coisas ficaram esquisitas com a mudança. Fomos convidados pelos Nakamura a festejar com eles o <i>Shōgatsu,</i> o Ano Novo. O clima era agradável de modo geral. Tínhamos arranjos de pinheiros pendurados nas portas de ambas as casas. Também preparamos de véspera o <i><div class= "tooltip"> Osechi Ryōri <span class= "tooltiptext"> Refeição típica das comemorações de Ano Novo no Japão, embaladas artísticamente e são compostas de alimentos secos ou com muito açúcar e vinagre para sua conservação. Todos os alimentos têm simbolismo (fartura, prosperidade, saúde, pureza, sorte etc). </span></div></i>, que foi compartilhado por todos durante os três primeiros dias do novo ano, como manda a tradição. <i>Okaasan</i> e Nakamura-sama fizeram questão de preparar tudo juntas com enorme cuidado e carinho.</p><p>Começamos, na noite do dia 31, assistindo ao programa de música <i><div class= "tooltip"> J-pop <span class= "tooltiptext"> música popular japonesa </span></div></i> em família. Depois, ouvimos as badaladas dos templos budistas à meia noite. Comemos as comidas típicas e, no dia seguinte, fomos ao templo para rezar e comprar amuletos.</p><p><i><div class= "tooltip"> Okaasan <span class= "tooltiptext"> mãe </span></div></i> parecia muito feliz com sua amiga. <i><div class= "tooltip"> Otōsan <span class= "tooltiptext"> pai </span></div></i> tinha se dado bastante bem com Nakamura-<i>sama</i>. Conversaram durante todo o tempo, trocando impressões sobre seus trabalhos e sobre suas famílias. Yoshi e Hikaru criaram um bom vínculo e aproveitaram todas as oportunidades para se divertir.</p><p>Para mim, contudo, o ar estava pesado e sufocante. Caminhava atrás de minha mãe, lançando disfarçados olhares para o calado e, aparentemente, entediado Nakamura-<i>senpai</i>. Eu falava pouco, também. Pensando em tudo aquilo e em como seria, a partir de agora, estar no colégio com ele, após passarmos a morar tão próximos. Não que parecesse haver qualquer mudança em nossa “relação” (nem havia relação, de fato), mas seria muito estranho... Nem sabia como agir, se comentar algo com meus colegas, se manter segredo...</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 16.1]]
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<p>Só consegui parar a tempo de não tropeçar nele. Estava sem saber o que dizer.</p><p>- Olhe, não posso mudar o fato de que vocês vieram morar na casa ao lado. Nem que, ao menos por mais um ano, estudaremos no mesmo colégio. Mas, que fique claro para você: não tenho interesse em socializar! Continue mantendo suas atividades, seus amigos e uma boa distância de mim.</p><p>Falava isso sem elevar a voz, sem alterar o rosto, sem gesticular. Apenas seus olhos pareciam brilhar e denunciar algo... Novamente, não sei dizer o quê!</p><p> Ao terminar a frase, retomou seu caminho e não me deu mais atenção. Sentindo-me humilhada e frustrada, segui-o de longe e tive o cuidado de entrar no colégio bem depois dele. Decidi que não queria que soubessem que eu agora morava perto do “famoso Nakamura-<i>kun</i>”.</p><p>...</p>\n\n[[>> Continua|Cap. 16.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 16.1]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Efeitos da mudança. ..."| 16.\tEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a alterar-se.]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos. \n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n[[Ir para "Efeitos da mudança. ..."| 16.\tEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a alterar-se.]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<p>...</p><p>O joguinho de esconde-esconde dos dois jovens, como eu supunha e vocês também, leitoras e leitores, continuou no colégio e na propriedade, sempre que era possível. Mas os encontros acabavam sendo inevitáveis. Muitas vezes era a mãe de Akira a culpada, pois sentia grande prazer em se reunir com a amiga e ver as duas famílias confraternizando. O fato de que os maridos haviam se entendido e os meninos estavam, a cada dia, solidificando sua amizade reforçava seu empenho.</p><p>Hikaru começava a estabelecer uma relação forte com Yoshi. Já o chamava, ocasionalmente, de <i><div class= "tooltip"> oniichan <span class= "tooltiptext"> Irmão mais velho (forma carinhosa) </span></div></i>, como ao seu próprio irmão. Isso porque, ao ser mais velho, mas não ter grande diferença de idade, Yoshi compartilhava muitas coisas com o amigo e lhe servia tanto como guia, quanto como companheiro.</p><p>Tudo isso acabava sendo um peso adicional para Akira e Yukiko. Afinal, tudo era harmônico no ambiente e na convivência, exceto por eles. Em algum momento isso acabaria ficando óbvio e os dois seriam confrontados pelos pais. Com certeza, a perspectiva era um fator a mais a assombrar a ambos.</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 16.\tEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a alterar-se.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 16.3]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<p>Saí de casa, mas tive o desprazer de, como supunha, ouvir a voz conhecida de Hayashi-<i>san</i>.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Ohayō <span class= "tooltiptext"> Bom dia </span></div></i>, Nakamura-<i>senpai</i>!</p><p>Como ousava falar comigo? Não quero nada com você, garota! - pensei comigo mesmo. - Você me perturba, me tira o foco... não sei por quê!!!! E, sinceramente, não gosto dessa sensação, detesto não entender o que está ocorrendo. Lembrei-me de novo, do perturbador sonho logo após a sua mudança... Então, respirei fundo, dei a volta e a encarei:</p><p>- Olhe, não posso mudar o fato de que vocês vieram morar na casa ao lado. Nem que, ao menos por mais um ano, estudaremos no mesmo colégio. Mas, que fique claro para você, não tenho interesse em socializar! Continue mantendo suas atividades, seus amigos e uma boa distância de mim.</p><p>Pronto! Disse! Está feito! Agora ela vai entender o recado e me deixar em paz. Dei meia volta e retomei meu caminho, indo para o colégio e tentando espantar seu rosto de minha mente.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 16.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 16.2]]
<p>...</p><p>Os feriados acabaram e o breve descanso antes do último trimestre letivo também se foi. Seriam meses bem pesados, com certeza. Mas eu estava empenhada em aprovar bem e iniciar em abril meu segundo ano do segundo grau.</p><p> No primeiro dia de retorno às aulas, acordei cedo, tomei meu dejejum, ajudei minha mãe em algumas tarefas e saí.</p><p>No portão, me encontrei, claro, com Nakamura-<i>senpai</i>. Era de esperar que, estudando no mesmo lugar e morando em casas contíguas, fôssemos coincidir no caminho de ida e de volta entre casa e colégio.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Ohayō <span class= "tooltiptext"> Bom dia </span></div></i>, Nakamura-<i>senpai</i>!</p><p>- Uhmmm?! - Murmurou e, de forma mal-educada, não respondeu. Continuou caminhando em seu passo firme e tranquilo portão afora.</p><p>- Não precisa ser tão grosseiro, sabe?! Afinal, somos vizinhos agora e, como estudamos no mesmo lugar, vamos nos ver queiramos ou não. E, que fique registrado, eu não faço questão!- acrescentei em voz alta e desafiadora.</p><p>- Ah, não?!? <i><div class= "tooltip"> Hontō <span class= "tooltiptext"> Verdade </span></div></i>?!? – ele perguntou, dando uma parada brusca e se voltando para mim.</p>\n[[>> Continua|Cap. 16.1.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 16.\tEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a alterar-se.]]
<p>...</p><p>Acordei preocupado. As aulas recomeçariam hoje e eu teria que me encontrar, necessariamente, com Hayashi-<i>san</i> na saída ou na chegada. Aqui não haveria forma de evitá-la, como no colégio. E isso nunca era bom, pois ela trazia sempre confusão na bagagem...</p><p>Pensando no sonho da noite após a mudança, me perguntei como era possível que essa garota não sofresse a rejeição que meu tio havia sofrido. Ao contrário, sua família aparecia feliz e ajustada. Ela tinha vários amigos e todos viviam unidos, sorrindo, conversando, festejando, mesmo quando as coisas não iam perfeitamente bem para eles no colégio. Eles representavam todo o oposto do desejável, socialmente falando (ou será que não?), e, ainda assim, pareciam felizes. Seus planos seguiam em frente, colaboravam uns com os outros, se preocupavam com os demais e agiam... Porém, se destacavam, não primavam pela excelência acadêmica, flexibilizavam a noção de hierarquia, eram ruidosos... Por que, então?...</p><p>Nunca havia sentido algo semelhante. Estava ansioso. Isso me incomodava, talvez até mais do que a presença daquela garota desagradável. De repente, me lembrei da observação de Miyazaki-<i>san</i>: “ela até que é bonitinha”... Bonitinha?!? <i>Tsch</i>! Em que estou pensando? Ela é encrenca! Que fique com seus amiguinhos dos <i>manga</i> e <i>anime</i>!</p><p>Tomei meu dejejum com essas ideias martelando na minha cabeça. Eu lutava contra elas. Lutava, sim! Eu precisava manter o foco, a clareza, a cabeça fria. Em poucos meses eu iniciaria meu último ano do segundo grau e poderia ir para a universidade e realizar meu sonho de ser médico. Bem... poderia mesmo?!? A situação da empresa de meu pai não estava melhorando com a rapidez desejada. Mas um ano era bastante tempo... Esta preocupação tomou o lugar da outra e me deu certo alívio, pois me parecia mais lógica e própria de mim.</p>\n[[>> Continua|Cap. 16.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 16.1.1]]
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história. \n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\n[[Efeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.| 16.\tEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a alterar-se.]]\n\n[[>> Continua|Sumário b]]\n