<p>- Brincando, eu?!... <i><div class= "tooltip"> Iie <span class= "tooltiptext"> não </span></div></i>! Você tem poderes, sabe?! Deve saber lançar maldições ou feitiços.</p><p>- Como assim?!?</p><p>- Durante o ano em que estive fora, ajudando a resolver os problemas da empresa de meu pai, não sei o que me atormentou mais: se a interrupção do curso de medicina, postergando meu sonho... ou se estar longe de você. Principalmente, sabendo que ele estava tão perto...</p><p>- Ele? Quem? Yamamoto-<i>kun</i>?!? – perguntei e arregalei meus olhos. – Você estava com ciúmes dele por minha causa?!?</p><p>- Eu já lhe disse: ou você me amaldiçoou, ou me enfeitiçou... Ou ambos! ... E, depois que voltei, pouco nos vimos, mas você parecia muito bem com essa ausência.</p><p>Ele disse isso com um tom muito tranquilo. Como uma simples assertiva. Em seguida, se despediu e se encaminhou para casa com as mãos nos bolsos da calça. Há alguns passos de distância, sem virar a cabeça para trás, acrescentou com um aceno da mão direita:</p><p>- Fico feliz que esteja bem e que seu atraso lhe tenha aberto uma perspectiva nova e empolgante.</p><p>Eu não conseguia acreditar em tudo aquilo! Parecia um sonho e eu teria que me beliscar muito para garantir que não estava dormindo. Só esperava que, no dia seguinte, este Nakamura que tinha acabado de conversar comigo não tivesse sumido como por um passe de mágica!</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 25.\tMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 25.3]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<p>...</p><p>Já estava anoitecendo. Era bem mais tarde do que meu horário habitual de chegar em casa. Para minha surpresa, ao regressar, além de minha mãe, vi Nakamura-<i>senpai</i> no portão da propriedade.</p><p>- O que houve, filha? Você está tão atrasada! E não tivemos notícias. Yamamoto-<i>kun</i> telefonou para lhe perguntar algo da faculdade e nos disse que você tinha saído mais cedo do que ele... Aliás, ele passou preocupado por aqui e disse que iria dar uma volta pelo <i>campus</i> para ver se a encontrava. Ninguém sabia onde você estava...</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Gomen nasai <span class= "tooltiptext"> Desculpe </span></div></i>! Não queria deixar vocês preocupados - desculpei-me, envergonhada e com uma profunda reverência. Contei, a seguir, tudo o que havia passado. Também revelei minha intenção de mudar de carreira.</p><p>Pedi licença um momento e enviei uma mensagem de texto para Yamamoto-<i>kun</i>, a fim de tranquilizá-lo. Disse-lhe que, no dia, seguinte explicaria tudo.</p><p>Minha mãe entrou e eu fiquei um pouco do lado de fora da casa. Notei que Nakamura-<i>senpai</i> continuava ali, calado. Estivera escutando toda a história.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 25.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 25.1]]\n
<p>...</p><p>- Nakamura-<i>senpai</i> - comecei a falar...</p><p>- Você não acha que já está na hora de parar de me chamar assim? Terminamos o colégio faz um tempo, não?! E ambos estamos no segundo ano do ensino superior - disse ele calmamente.</p><p>- Está bem, Nakamura-<i>san</i>. Ou devo dizer Nakamura-<i>kun</i>, como suas muitas admiradoras?</p><p>- Como preferir... Sabe? Fiquei preocupado quando soube que nem Yamamoto sabia de seu paradeiro.</p><p>- Ficou?!</p><p>- Por que estranha? Não acredita? Será que já esqueceu o que me declarou tempos atrás, quando eu lhe dava aulas particulares, antes do retorno das férias de final de ano? – me perguntou e, pela primeira vez, eu percebia um discreto sorriso em seus lábios. – Ou será que tudo aquilo ficou no passado, que agora você é uma adulta e tem outros interesses?</p><p>- Eu nunca esqueceria!... Nem da forma como você me tratou então. Não foi nada gentil. ...Está brincando comigo agora?</p>\n[[>> Continua|Cap. 25.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 25.2]]
<p>Tive que sorrir. Achei gracioso que a menina só fizesse referência à irmã pelo grau de parentesco. No entanto... era bastante lógico.</p><p>- Não se preocupe, Aiko-<i>chan</i>! Ela deve estar preocupada e procurando você por todo o <i><div class= "tooltip"> campus <span class= "tooltiptext"> local das instalações da instituição universitária </span></div></i>. Vamos fazer o seguinte: vamos até a portaria do prédio de Artes para deixar um aviso. Depois, voltaremos para cá e ficaremos desenhando um pouco enquanto esperamos que ela volte. Você sabe que eu estudo desenho? Você gosta de desenhar? Vou-lhe dar papel e lápis. Depois, se você me mostrar o seu desenho, eu lhe mostro os meus. Combinado?</p><p>Ela sorriu e disse que sim. Então fizemos exatamente como eu tinha sugerido e ficamos esperando.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 25.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 25.\tMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.]]
<p>...</p><p>Meia hora depois, uma moça miúda de longos cabelos negros apareceu com um ar preocupadíssimo. Exclamou ao ver a menina:</p><p>- Aiko-<i>chan</i>!!! Você quase me mata de susto! Está bem?</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Hai <span class= "tooltiptext"> Sim </span></div></i>! <i><div class= "tooltip"> Gomen <span class= "tooltiptext"> Desculpe (forma simplificada) </span></div></i>... <i>Oneechan</i>, essa moça conversou comigo e me fez companhia até você chegar. [[Fizemos uns desenhos também! Quer ver?!?|O desenho de Aiko-chan]] Ela desenha muito bem!</p><p>- Sou Hata Amaya. <i><div class= "tooltip"> Dōmo arigatō gozaimasu <span class= "tooltiptext"> Muito obrigada (estrutura mais formal) </span></div></i>! E desculpe pelo trabalho que ela pode ter causado.- me disse a moça com uma reverência.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Hajimemashite <span class= "tooltiptext"> Prazer </span></div></i>, Hata-<i>san</i>. Sou Hayashi Yukiko! E, <i><div class= "tooltip"> iie <span class= "tooltiptext"> Aqui apalavra "não" está funcionando como "de nada", em resposta ao agradecimento da interlocutora </span></div></i>! Não se preocupe, Hata-<i>san</i>, nós nos demos muito bem e passamos um ótimo tempo juntas. <i>Ne</i>, Aiko-<i>chan</i>?</p><p>Despedimo-nos e eu as vi partir, ambas sorridentes. Naquele momento tive uma revelação sobre mim mesma. Amava desenhar, pintar, aprender tudo o que havia aprendido sobre arte. No entanto, meu sonho de criar <i>manga</i> havia enfraquecido com o tempo. Hoje, me parecia coisa de adolescente. Aquele encontro com Aiko-<i>chan</i>, minha possibilidade de atendê-la, de brincar com ela, acalmá-la, cuidar dela, lhe ensinar coisas, me mostrou qual deveria ser o meu caminho a partir daquele dia. [[Eu seria professora e trabalharia com crianças pequenas|Maiara, mudarei de carreira]]! De certa forma, seguiria os passos de meu pai e isso me enchia de contentamento e orgulho.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 25.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 25.0]]
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<b><h2>Mudam-se caminhos. Reinventam-se relações.</h2></b>\n\n\n<i><small> A vida pode ser um sonho... Com um beliscão, provo que não estou dormindo...</small></i>\n\n\n<p>Uma tarde, já no segundo ano de estudos, quando eu saía da faculdade sozinha, vi uma menininha sentada num banco dos jardins externos do prédio. Estava desacompanhada e chorava baixinho. Aproximei-me e percebi nela um estremecimento.</p><p>- Olá! Me chamo Yukiko. Qual é o seu nome? Quantos anos você tem?</p><p>Entre lágrimas, ela respondeu:</p><p>- Sou Aiko. Tenho cinco anos.</p><p>- Aiko-<i>chan</i>! Que lindo nome! “Criança de amor”! ... Mas, o que faz aqui sozinha?</p><p>- Vim com minha irmã mais velha. Ela estava conversando com um montão de amigos e eu me afastei atrás de uma borboleta aqui no parque. Quando voltei, já não a vi mais!!!! – disse ainda entre lágrimas.</p><p>- Ela estuda aqui? – perguntei e vi que ela acenava afirmativamente com a cabeça.</p><p>- Como se chama?</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Oneechan <span class= "tooltiptext"> irmã mais velha (tratamento íntimo e carinhoso) </span></div></i>!</p>\n[[>> Continua|Cap. 25.0]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
\n<img src="imagens/desenho-aiko-chan.jpg" alt="Desenho feito por Aiko-chan enquanto esperava por sua irmã.">\n\n[[<< Retoma a leitura do capítulo|Cap. 25.1]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n <img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Mudam-se caminhos..."| 25.\tMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos.\n\n[[Mudam-se caminhos. Reinventam-se relações.| 25.\tMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.]]\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Ir para "Mudam-se caminhos..."| 25.\tMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<img src="imagens/celular-flip-da-Yukiko.jpg" alt="Imagem do celular de Yukiko coma mensagem de Maiara">\n\n. Querida, Maiara-<i>chan</i>, hoje tomei uma importante decisão sobre meu futuro: vou mudar de carreira. \n Serei professora! (^_^)\n\n. Professora?!? E a criação de manga???!!! (*O*)\n Como foi isso?!?\n\n. Conheci uma menininha perdida na universidade. Pude ajudá-la. \n Conectei-me com ela e descobri o que realmente queira fazer. \n Criar manga foi um sonho de adolescência!\n\n. Ok! Vá em frente e <i><div class= "tooltip"> ganbatte <span class= "tooltiptext"> Dê o seu melhor! </span></div></i>!\n\n\n[[<< Retoma a leitura do capítulo|Cap. 25.1]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]