<b><h2>Estar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.</h2></b>\n\n\n<i><small> No silêncio e solidão aprendemos a ouvir melhor nossa<br> voz interior... E, finalmente, fazer o que é devido.</small></i>\n\n\n<p>Afastar-me de Tokyo foi uma experiência contraditória. Por um lado, provocou um atraso na minha formação em medicina e gerou uma certa angústia com relação ao meu futuro. Após eu ter conseguido entrar na universidade e visto tudo o que ela podia me oferecer, era frustrante me acomodar à ideia de que minha vida podia, de fato, estar predeterminada: um filho mais velho dando continuidade à obra do pai. Mas, por outro, me deu a chance de testar meus limites, experimentar novos desafios, crescer como adulto e viver por minha conta.</p><p>Havia, no entanto, algo mais nessa equação que, por diversas vezes, imprimiu um grau de inquietação ao meu retiro. A imagem de Yukiko, sua declaração de amor, a conversa sob o luar na véspera da viagem eram elementos que vinham tirar-me ocasionalmente o sossego.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.1]]\n
<p>...</p><p>Onde eu estava, trabalhava cerca de 16 horas por dia, ou mais. Havia muito o que fazer, a responsabilidade era enorme. Supervisionar a reconstrução da fábrica, acompanhar o processo de produção de nossos produtos nos pequenos laboratórios cujas instalações alugávamos por períodos determinados, preparar relatórios de desempenho, visitar clientes, parceiros e fornecedores da região, tudo isso demandava demasiado. E senti que amadurecia rapidamente e avançava para muito além de meus 18 anos. E, devo confessar, nem sempre foi fácil. Por mais que o desafio fosse gratificante, em especial a cada conquista, não raro o peso da responsabilidade cobrava seu preço e eu me perguntava se de fato não havia limites para o que uma pessoa devesse entregar de si por uma causa, por um compromisso de honra e família... Eu nunca o admitiria em público, mas pensava a respeito. </p><p>O meio empresarial é tremendamente feroz e selvagem. Há muito dinheiro em jogo e isso mexe com os indivíduos com frequência. Seja como for, tudo o que via, a avaliação que aprendi a fazer do caráter das pessoas, a firmeza que precisei desenvolver em tão curto espaço de tempo, para me impor a interlocutores bem mais velhos do que eu, eram uma aquisição preciosa tanto em termos pessoais, quanto profissionais, trabalhasse eu no que fosse no futuro. Nessas ocasiões, preciso reconhecer que minha admiração e meu orgulho por meu pai cresceram enormemente. Sempre que conversávamos, eu obtinha uma lição, uma orientação segura. Ele era um homem de grande conhecimento e habilidade, honrado e ético.</p><p>Levaria comigo, também, tudo o que consegui aprender sobre a medicina tradicional, os fitoterápicos e sua importância nos tratamentos em associação à medicina moderna e ocidental. Se realmente eu conseguisse me formar como médico, esta etapa de minha vida teria valido a pena. E como eu ansiava por isso!</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 26.\tAté que a morte nos separe. O fio que levou ao fim do labirinto.]]
<p>...</p><p>A volta para casa me trouxe alento. Pude retomar o curso de medicina e me deixar sentir novamente um rapaz jovem. E, apesar de estar muito atarefado tentando recuperar o ano perdido, sempre conseguia de alguma forma vê-la. Mas isso não me trazia conforto em muitos casos, pois ela vivia acompanhada por Yamamoto ou um de outros dois colegas. Minha reação costumava ser bem mais ríspida do que o habitual e me causava nova avalanche de confusão.</p><p>Na faculdade, eu tinha dois companheiros mais próximos. Um deles, Minami-<i>san</i>, jovem porém já recém-casado, era um ótimo parceiro. Tinha-se transferido para Tokyo de outra universidade para acompanhar sua mulher, cuja oportunidade de carreira se apresentou na capital. Passávamos muitas horas juntos estudando e, com o tempo, começamos a desenvolver uma amizade. O outro, Fujimoto-<i>san</i>, era o oposto. Belicoso, arrogante e competitivo ao extremo. A relação com Fujimoto-<i>san</i> servia como estímulo ao trabalho e ao meu aperfeiçoamento constante. Foi, no entanto, com Minami-<i>san</i> que obtive minhas melhores lições. E não eram de medicina!</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.2]]\n
<p>...</p><p>Quando voltava para meu pequeno apartamento, saboreava o silêncio, a tranquilidade e me sentia livre para ser como e o que eu era. No entanto, nesses momentos, era quando me recordava de minha família, dos cuidados de minha mãe, da sabedoria de meu pai, da cumplicidade com meu irmão. Era, também, quando a imagem de Yukiko se insinuava em minha mente e misturava meus sentimentos, me deixando sem ação, sem entender a mim mesmo. O que estaria ocorrendo comigo?!</p><p>Se meu avô materno estivesse aqui e me visse, com certeza diria orgulhoso que eu havia feito o que era para ser feito. Mesmo tão jovem, havia respeitado a família, o bem comum, a hierarquia. Enfatizaria que eu não tinha abandonado tudo atrás de algum sonho louco e que tinha sido humilde, discreto, centrado e sensato.</p><p>Mas não era bem assim... Eu ansiava por meu sonho, que havia somente deixado em suspenso. E, em certa medida, queria saber dar vazão (descobrir como) a uma série de sentimentos que eu observava crescerem em mim, mesmo sem os entender ainda.</p><p>Estive poucas vezes em Tokyo nesse ano. Resolvia as questões da empresa com meu pai quase diariamente por longas conferências telefônicas ou com a troca de mensagens por fax. Também sabia notícias de casa ao conversar com minha mãe, ao menos uma vez por mês. Mais de uma vez me peguei desejando que ela me contasse algo dos Hayashi, em especial de Yukiko. Mas nunca lhe perguntei diretamente por nada. Precisava, primeiro, entender o que estava ocorrendo comigo...</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.1]]
<p>...</p><p>Pouco tempo depois, aconteceu o incidente do atraso de Yukiko devido à menina perdida na faculdade. Eu estava lendo na varanda de casa. De lá, via o portão e percebi como a mãe de Yukiko ia e vinha agitada. Num momento, a vi falando ao telefone e me lembro de ter distinguido o nome de Yamamoto.</p><p>Minha atenção foi despertada. Não tinha visto Yukiko ainda nesse dia. E já era tarde. Onde estaria? Com Yamamoto? Pouco provável, já que ele tinha telefonado e falado com a mãe dela. Se estivessem juntos seria ela, não ele, a falar com a mãe.\nDecidi saber o que ocorria. Larguei o livro sobre uma mesinha e me aproximei.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Konban wa <span class= "tooltiptext"> Boa noite </span></div></i>, <i><div class= "tooltip"> obasama <span class= "tooltiptext"> forma de tratamento cerimoniosa para "tia. Neste caso, refere-se a uma mulher mais velha por quem se tem respeito, mesmo sem grau de parentesco. </span></div></i>!</p><p>- Ah, Akira-<i>kun</i>. <i>Konban wa</i>!</p><p>- A senhora parece preocupada... Algum problema? Posso ajudar?</p><p>- <i>Arigatō</i>, Akira-<i>kun</i>, mas, não se incomode. Yukiko está muito atrasada. Ainda não voltou da faculdade. Acabei de receber uma ligação de Yamamoto-<i>kun</i>. Ele estava querendo falar com ela. Ou seja, não estão juntos e nem ele sabe onde ela possa estar.</p><p>Aquilo era inquietante. Senti-me, de repente, sem chão, impotente. O que teria acontecido com ela? Por que não dava notícias?</p><p>Fiquei ao lado de sua mãe até que Yukiko apareceu. Só de vê-la, fui tomado por um grande alívio e respirei fundo. Shizuka-<i>sama</i> estava, igualmente, aliviada.</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.5.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.4.1]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
<p>- <i><div class= "tooltip"> Iie <span class= "tooltiptext"> Não </span></div></i>. De fato, não. Estive pensando... Faz tempo que nos conhecemos. Nesses últimos quase quatro anos, conversamos e saímos sempre...</p><p>- Sim?!</p><p>- Lembra-se de quando você disse que gostava de mim?</p><p>- Claro! E de como você me rejeitou, também! – disse ela, sorrindo.</p><p>- Pois agora é minha vez. E espero que sua reação não seja como a minha no passado.</p><p>- Ãh?...</p><p>- Yukiko, gosto de você. Na verdade, gosto de você bem antes de ter a consciência disso! Gostaria de estar sempre ao seu lado... Você casaria comigo?</p><p>- Vo-você está falando sério?!? Está mesmo me pedindo em casamento?</p><p>- Bem, estou perguntando se você concorda. O pedido, o farei formalmente ao seus pais mais tarde, caso você diga que sim. Isso se você não se importar em se casar com um estudante de medicina que em breve começará sua residência...</p><p>- De jeito algum!!!! [[Eu pensei que nunca perguntaria!!!!|Maiara, ele fez o pedido!]] – piscou, sorriu e me abraçou longamente.</p><p>Quando ia se afastando, a tomei nos braços e lhe dei nosso primeiro beijo. Era como se tudo o que Minami-<i>san</i> disse se concretizasse. Encontrei a chave e abri a porta, finalmente!</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 26.\tAté que a morte nos separe. O fio que levou ao fim do labirinto.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.6]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<p>...</p><p>Quando voltamos dos feriados de início de ano, nos sentamos para conversar no refeitório, após as aulas da manhã. Minami-<i>san</i> era discreto e calado, em geral, mas construímos uma relação de confiança suficiente para que ele me mostrasse a foto de sua esposa e comentasse que agora riam muito de como havia sido complicada sua aproximação. Acho que tinha percebido de alguma maneira meus conflitos e decidido me ajudar.</p><p>- Sabe, Nakamura-<i>san</i>, deveríamos dar mais ouvidos às mulheres. Elas conseguem desenvolver uma sensibilidade muito especial, mesmo com toda a distância protocolar que nossa cultura nos legou. São românticas, criativas, gentis, sensíveis e têm um enorme poder para nos ajudar a vencer nossas barreiras pessoais. De certa forma, me sinto salvo por ela, por minha esposa.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Hontō <span class= "tooltiptext"> De verdade?! </span></div></i>?! – perguntei assombrado com a franqueza com que me contava algo tão íntimo.</p><p>- Ela tocou meu coração e me ajudou a romper bloqueios que me impus, por motivos que agora não vêm ao caso. E sabe por que me abro e lhe conto isso? Normalmente sou uma pessoa bastante reservada...</p><p>- <i>Iie</i>! De fato, não! E estava me perguntando por que eu havia merecido esse grau tão alto de confiança...</p><p>- Porque percebo que você também tem algo engasgado aí dentro. Talvez, se houver uma garota que lhe toque o coração, você descubra a chave para abrir essa porta.</p><p>Sacudi a cabeça, entre embaraçado e atônito. Quando eu havia deixado transparecer algo? Como ele o havia notado?</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.4.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.3]]
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n <img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Estar para sempre ao seu lado..."| 26.\tAté que a morte nos separe. O fio que levou ao fim do labirinto.]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
/* Tooltip container */\n.tooltip {\n position: relative;\n display: inline-block;\n border-bottom: 2px dotted blue; /* If you want dots under the hoverable text */\n}\n\n/* Tooltip text */\n.tooltip .tooltiptext {\n visibility: hidden;\n width: 120px;\n background-color: #555;\n color: #fff;\n text-align: center;\n padding: 5px 0;\n border-radius: 6px;\n\n /* Position the tooltip text */\n position: absolute;\n z-index: 1;\n bottom: 125%;\n left: 50%;\n margin-left: -60px;\n\n /* Fade in tooltip */\n opacity: 0;\n transition: opacity 0.3s;\n}\n\n/* Tooltip arrow */\n.tooltip .tooltiptext::after {\n content: "";\n position: absolute;\n top: 100%;\n left: 50%;\n margin-left: -5px;\n border-width: 5px;\n border-style: solid;\n border-color: #555 transparent transparent transparent;\n}\n\n/* Show the tooltip text when you mouse over the tooltip container */\n.tooltip:hover .tooltiptext {\n visibility: visible;\n opacity: 1;\n}\n
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Ir para "Estar para sempre ao seu lado..."| 26.\tAté que a morte nos separe. O fio que levou ao fim do labirinto.]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos.\n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações\n\n[[Estar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.| 26.\tAté que a morte nos separe. O fio que levou ao fim do labirinto.]]\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<p>Depois de ter pedido desculpas pelo atraso e falta de comunicação, nos contou a história da pequena Aiko-<i>chan</i>, perdida na faculdade. De como a ajudou a se acalmar e a encontrar sua irmã. Explicou que, por isso, por estar tão ocupada e envolvida, não cogitou telefonar para casa, nem mandar uma mensagem de texto. Finalizou sua explanação, declarando que havia descoberto sua vocação: que seria professora e iria à faculdade no dia seguinte para pedir informações sobre a transferência.</p><p>Fiquei feliz com o que ouvia, ao ver seu amadurecimento e sua decisão. Sua mãe entrou e, como ela ficou um pouco mais, aproveitei a ocasião para conversarmos, algo que era bastante raro. De repente, entendi o que me comentou Minami-<i>san</i> e, quando ela me chamou de <i><div class= "tooltip"> senpai <span class= "tooltiptext"> veterano </span></div></i>, soube exatamente o que responder. Este foi o primeiro passo para nossa vida juntos.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.6]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.5]]
\n<img src="imagens/celular-flip-da-Yukiko.jpg" alt="Imagem do celular de Yukiko coma mensagem de Maiara">\n\n. Maiara-<i>chan</i>! Ele... ele veio conversar comigo hoje!\n\n. Yukiko?!... Quem???\n\n. Nakamura-<i>kun</i>! Ainda não consigo acreditar... depois de tanto tempo... (@_@)\n\n. Não me diga que ele, finalmente, tomou coragem?!? (*^*)\n\n. Sim!!!! Ele me pediu em casamento!!! *(^o^)*\n\n. Até que enfim!!!! Ele é a criaturinha mais lenta que eu já vi para perceber o óbvio!!!! (n_n)\n\n. Que maldade, Maiara-<i>chan</i>!!!! (>o<)\n\n. E quando vão se casar? \n\n. Ainda não! Mas deverá ser antes de ele começar a residência. Você virá, não é?!?\n\n. Eu não perderia isso por nada neste mundo!!!! (-_o)\n\n\n[[<< Retoma a leitura do capítulo|Cap. 26.6.1]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<p>...</p><p>Yukiko conseguiu passar para o curso de formação de professores e se dedicou ainda mais intensamente. Quebrado o gelo naquela noite do atraso, começamos a conversar com mais frequência, sempre que nossos compromissos nos permitiam. Também saímos em algumas ocasiões e íamos estreitando os laços que nos uniam. Nesse período, eu a percebia sempre imensamente feliz, entusiasmada, como que vivendo num tipo de sonho. Embora isso contrastasse com minha natureza mais reservada, eu não podia deixar de achar, secretamente, certa graça. E (por que não admitir?) algum prazer por vê-la tão interessada em mim.</p><p>Certa manhã, um pouco antes de sua formatura, uns quatro anos depois, eu lhe pedi que caminhássemos juntos até o metrô, antes das aulas. Íamos mais calados do que o normal e havia certa cerimônia em minhas atitudes.</p><p>- Nakamura-<i>kun</i>, aconteceu algo? Eu não o via tão sério e calado faz tempo... Algum problema?</p>\n[[>>Continua|Cap. 26.6.1]]\n\n[[Retorna à página anterior|Cap. 26.5.1]]
<p>- Bem... <i>Hai</i>, há uma garota. Mas... não sei o que pensar com relação a ela, ou a mim. Não entendo o que ocorre. E não sei se é como o seu caso.</p><p>- Os casos nunca são iguais, amigo!... Essa garota, ela gosta de você?</p><p>- Segundo me disse, faz muito tempo, sim. Hoje, não tenho tanta certeza.</p><p>- E você, o que sente por ela?</p><p>- Sinceramente?... Não estou certo, tampouco. Ela sempre me irritou, sempre a vi como uma fonte de desastres. Mas penso nela recorrentemente e me incomodo quando a vejo com seus amigos de faculdade, em especial um deles, que a acompanha desde o segundo grau.</p><p>- Uhmmm... Acho que você tem sua resposta. Só não quer, ou não consegue, enxergá-la ainda. Por que não se aproxima, derrete um pouco do gelo, tenta saber se os sentimentos dela se mantêm?</p><p>- O que posso fazer? Nem sei por onde começar.</p><p>- Comece se aproximando. Se você se abrir à possibilidade, o que deverá dizer vai surgir à sua mente de forma natural, só de estar com ela.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 26.5]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 26.4]]
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]