<b><h2>Não se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.</h2></b>\n\n\n<i><small> O ser humano, em sua arrogância e prepotência, se esquece o quão frágil pode<br> ser. A natureza sempre encontra seus caminhos para revidar nossas agressões.</small></i>\n\n\n<p>... tomei um banho, me troquei, desci, me despedi de minha mãe:</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Itte kimasu <span class= "tooltiptext"> despedida ao se sair de casa </span></div></i>!</p><p>... e parti o mais rápido que pude para o aeroporto.</p><p>No caminho, ia rememorando os últimos três dias. Tudo parecia tão inacreditável! Um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. O que havia ocorrido mesmo?</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.1]]
<p>- <i><div class= "tooltip"> Gomen nasai <span class= "tooltiptext"> desculpe </span></div></i>, Akira...</p><p> - <i>Shiii</i>!... Você pode ser poderosa, mas ainda não comanda os tremores de terra! – sorri de volta, feliz por vê-la consciente.</p><p>Sorrimos juntos, em total cumplicidade e alívio.</p><p>- Yukiko, você precisa descansar e eu não posso ficar aqui. Estou no hotel onde você estava. Apanhei suas coisas e dormirei por lá até podermos voltar para Tokyo. Amanhã, retorno e vou verificar a possibilidade de transferi-la, certo?!</p><p>Ela apenas balançou afirmativamente a cabeça e voltou a adormecer.</p><p>No dia seguinte, como não havia perigo, eu era médico, trabalhava em um hospital de referência e seu quadro estava evoluindo satisfatoriamente, [[consegui sua transferência|Respondendo a Maiara]]. Ela ainda passou mais uma semana em Osaka, além do tempo de CTI, mas, na segunda-feira seguinte ao meu pedido, voltamos para Tokyo.</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 28.\tNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.5]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
\n<img src="imagens/celular-flip-da-Yukiko.jpg" alt="Imagem do celular de Yukiko coma mensagem de Maiara">\n\n. Maiara-<i>san</i>, vi suas mensagens... \n Desculpe não ter ligado antes ... e por lhe dar a notícia assim, mas imagino que você gostaria de saber...\n\n. Akira-<i>san</i>?! O que houve? O que há com Yukiko?\n\n. Houve um terremoto... Ela estava num congresso em Osaka, como você sabe...\n\n. Sei! Tenho tentado contato desde a noite da quinta do desastre, mas não houve resposta!!! \n Como ela está?\n\n. Agora, fora de perigo. Fez uma cirurgia e ainda está muito sonolenta pelos medicamentos...\n Voltaremos para Tokyo em breve, mas ela ainda estará hospitalizada por um tempo.\n\n. Meu Deus!!! (o_o)\n Fico muito feliz por saber que ela está bem e que vai se recuperar logo. \n Não tenho como viajar agora, mas manterei contato com você. \n Assim que puder, irei vê-los!\n Força, <i><div class= "tooltip"> itoko <span class= "tooltiptext"> primo </span></div></i>! Tudo vai acabar bem!\n\n. <i>Arigatō</i>, Maiara-<i>san</i>!\n\n\n[[<< Retoma a leitura do capítulo|Cap. 28.5.1]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
/* Tooltip container */\n.tooltip {\n position: relative;\n display: inline-block;\n border-bottom: 2px dotted blue; /* If you want dots under the hoverable text */\n}\n\n/* Tooltip text */\n.tooltip .tooltiptext {\n visibility: hidden;\n width: 120px;\n background-color: #555;\n color: #fff;\n text-align: center;\n padding: 5px 0;\n border-radius: 6px;\n\n /* Position the tooltip text */\n position: absolute;\n z-index: 1;\n bottom: 125%;\n left: 50%;\n margin-left: -60px;\n\n /* Fade in tooltip */\n opacity: 0;\n transition: opacity 0.3s;\n}\n\n/* Tooltip arrow */\n.tooltip .tooltiptext::after {\n content: "";\n position: absolute;\n top: 100%;\n left: 50%;\n margin-left: -5px;\n border-width: 5px;\n border-style: solid;\n border-color: #555 transparent transparent transparent;\n}\n\n/* Show the tooltip text when you mouse over the tooltip container */\n.tooltip:hover .tooltiptext {\n visibility: visible;\n opacity: 1;\n}\n
<p>Senti-me perdido, transtornado. Despedi-me de minha mãe e disse que veria o que poderia descobrir de mais concreto. Depois entraria de novo em contato.</p><p>Procurei o meu diretor e lhe pedi ajuda para localizar minha esposa e ter informações mais precisas. Foi uma noite terrível, de incertezas e busca de informação. Finalmente, com seu auxílio, entrei em contato com os colegas do hospital onde ela estava e descobri que tinha passado por uma cirurgia. Estava estável, mas desacordada. Mantinha-se no CTI e, se tudo corresse bem durante a noite e os próximos dias, seria transferida para a enfermaria em breve.</p><p>Quis largar tudo e viajar imediatamente para Osaka. Meu chefe, contudo, argumentou que, àquela hora e estando ela no CTI, eu nada poderia fazer. Eu precisaria de descanso e de cabeça fria para enfrentar essa adversidade. Mandou-me, portanto, para casa e me liberou para viajar para lá no dia seguinte. Afinal, era uma situação excepcional e eu vinha trabalhando intensamente nos últimos meses. Tinha direito a um afastamento.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.3]]
<p>- Vou tomar o <i><div class= "tooltip"> Shinkansen <span class= "tooltiptext"> trem bala japonês </span></div></i>. Devo estar em Osaka mais ou menos na hora do almoço. Irei com duas colegas do trabalho. Apresentaremos um projeto que desenvolvemos na escola com as crianças maiorzinhas no primeiro trimestre deste ano. Obtivemos resultados excelentes! Seguimos propostas de uma escola experimental do Brasil. O material me foi enviado por Maiara, cortesia de uma de suas primas por parte de mãe – ela respondeu.</p><p>-Ah, Maiara! E como está ela? Pretende nos visitar de novo?... Quanto tempo faz desde a última vez?</p><p>- Deixe-me ver... Veio pelo nascimento de Kazumi. Disse-me que queria voltar, mas a crise torna a viagem ao Japão muito cara para ela. E está, segundo me contou, atolada no trabalho.</p><p>- Quatro dias, então?! – perguntei um pouco melancólico, mudando de assunto.</p><p>- O quê? Minha viagem?... Tentarei voltar ainda no último dia do congresso, no trem da noite. Não chegarei a estar fora por quatro dias inteiros – sorriu.</p><p>- Mas você sabe que sentirei a sua falta, <i>ne</i>?! Seu feitiço é poderoso! – brinquei.</p><p>- <i>Hai</i>! Está certo! Falaremos todos os dias, ok?!</p><p>O resto do café transcorreu nessas conversas cotidianas e sem muita importância. Apenas desfrutando uns dos outros. Tudo terminado, Yukiko ajeitou a cozinha, mandou as crianças para a escola, pegou suas coisas e se despediu de mim. Desejei-lhe uma ótima e segura viagem, um excelente congresso e lhe disse que aguardava sua volta. Eu a vi se afastar para ir à estação do trem, pensando em como minha vida tinha mudado ao longo desses vários anos de convivência... para melhor. Subi para descansar um pouco com um sorriso nos lábios.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.2]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n <img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Não se combatem as forças da natureza..."| 28.\tNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<p>Eu, naturalmente, não preguei o olho. Não podia. Fiquei no escuro do escritório, pensando, relembrando cada momento de nossas vidas. Lamentando todo o tempo que perdi ao não reconhecer o meu grande amor imediatamente. Ao não me lançar a ele aos primeiros sinais.</p><p>Nem percebi quando o dia amanheceu. Apenas me dei conta, levantando a cabeça, ao ouvir a batida na porta e sentir a luz que vinha do corredor. Ali, contra a luminosidade difusa, estavam em pé Akemi e Kazumi, de mãos dadas, surpresos e assustados. Com certeza já tinham sabido que a mãe estava doente no hospital. Preocupavam-se, contudo e provavelmente, mais do que apenas por esse fato, com a minha reação, minhas lágrimas, meu abatimento.</p><p>Abri meus braços para recebê-los e lhes disse que fossem na minha frente para a mesa do café. Que não se preocupassem, pois sua mãe ficaria bem e logo estaria em casa. Em um minutinho eu estaria com eles.</p><p>Depois disso, a conversa com Hikaru, o café com minha família, o novo contato com o hospital universitário, só para saber que o quadro se mantinha estável e sem alterações, me arrumar apressadamente e sair.</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.5]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.4]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos.\n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\n[[Não se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.| 28.\tNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.]]\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Ir para "Não se combatem as forças da natureza..."| 28.\tNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<p>E aqui estou eu, chegando ao aeroporto, porque não consigo esperar mais para vê-la. O <i>Shinkansen</i> seria muito lento para mim, mesmo que a diferença de tempo entre os dois meios de transporte não seja considerada tão grande. Se pudesse me transportaria instantaneamente para aquele hospital, aquele CTI, para seu lado... Ia desejando que tudo estivesse bem de novo, querendo ficar perto dela.</p><p> Durante o voo, rememoro minha vida com ela. A angústia é tanta! Os minutos parecem horas, uma eternidade... Preciso manter o foco... Preciso!</p><p>Ao chegar à cidade, apesar de toda a organização japonesa, percebo certa lentidão no deslocamento, devido aos efeitos do terremoto de média intensidade. Isso redobra minha tensão. Mas, finalmente, chego ao hospital, antes da hora do almoço.</p><p>Procuro a equipe médica responsável. Tenho, contudo, que resolver primeiro aspectos burocráticos da internação de Yukiko. Recebo dos colegas a notícia de que ela está passando bem, fora de perigo. Que houve momentos em que acordou, mas ainda estava muito dopada e tinha voltado a dormir. De qualquer forma, se esperava que pudesse ir para a enfermaria ainda naquele dia. Após me passar a informação, o médico pediu licença e saiu. Desabei na sala de espera, entre aliviado e ansioso. Afastei-me um pouco, para uma área externa do complexo, e liguei para casa, dando as boas notícias à minha mãe e aos meus sogros que, a esta altura, estavam preocupadíssimos pela filha.</p><p>Voltando à recepção do CTI, pedi para falar novamente com o médico responsável e solicitei permissão para vê-la. Dada minha condição de médico, por uma cortesia profissional, me permitem uns breves momentos com ela. Encontrei uma Yukiko bastante sonada, mas bem. Olhei seu prontuário e tomei ciência do que havia sido feito e de seus sinais vitais. Depois disso, me retirei, visitando-a diariamente, nos horários permitidos, enquanto aguardava sua liberação para a enfermaria. Quando isso finalmente ocorreu, estive com ela no quarto até que acordasse e me dirigisse seu lindo sorriso.</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.5.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.4.1]]
<p>...</p><p>Quando cheguei em casa, minha mãe estava acordada me esperando, acompanhada de Shizuka-sama, minha sogra. Disseram-me que as crianças já estavam dormindo e não tinham muita clareza do que estava ocorrendo. Mas, claro, principalmente Akemi percebia que algo estava errado.</p><p>Quiseram saber, então, notícias e eu lhes disse que Yukiko havia passado por uma cirurgia, ainda estava desacordada e se encontrava no CTI. Segundo meus colegas, no entanto, isso não deveria causar preocupação, pois a cirurgia havia sido bem-sucedida e ela estava atendida em suas necessidades e com quadro estável. Acrescentei que ficassem confiantes, pois ela estava segura e eu, em breve, estaria ao seu lado.</p><p>Minha sogra estava visivelmente angustiada, mas manteve sua atitude tranquila de sempre. Despediu-se e disse que voltaria para casa, para contar tudo ao marido. Ele aguardava ansioso por notícias. Em nome de ambos, antes de sair, ofereceu-se para ajudar no que fosse preciso. Dirigi-lhe um sorriso tímido e fiz uma leve reverência de despedida, esperando que isso lhe desse algum conforto. Não consegui, contudo, dizer nada, pois, no fundo, sentia-me profundamente desamparado.</p><p>Pedi, então, à minha mãe que fosse dormir. Eu gostaria de sua ajuda com as crianças no dia seguinte e ela precisava estar descansada. Meus sogros também precisariam de seu apoio. Eram pessoas fortes, mas estariam, seguramente, temendo por sua filha e se sentindo impotentes.</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.4.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.3.1]]
<p>...</p><p>Eu, devido ao plantão noturno, não fui ao trabalho no dia da viagem de Yukiko. Descansei, estudei uns casos, brinquei um pouco com as crianças e, à noite, conversei com minha esposa por videoconferência. No dia seguinte, acordei para ir ao hospital e tudo estava bem. Minha rotina seguiu como de costume, com muito trabalho, mas sem novidades... Em casa, o jantar em família, a atenção às crianças, a conversa virtual com Yukiko...</p><p> O mesmo se repetiu na quinta-feira. Até o término de meu turno. Ao entrar na sala dos médicos, recebi informações sobre o terremoto e um acidente no metrô de Osaka. Liguei para casa e obtive notícias por minha mãe:</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Moshi moshi <span class= "tooltiptext"> Expressão usada quando se fala ao telefone. Significa algo como nosso "alô", mas é usada também por quem liga, ao que se responde (quem atende) com um "hai" (sim). </span></div></i>... <i><div class= "tooltip"> Okaasan <span class= "tooltiptext"> mãe </span></div></i>? Sou eu, Akira. Acabei de sair do meu plantão e recebi informações sobre um terremoto em Osaka. Você tem alguma notícia de Yukiko?</p><p>- <i>Hai</i>! Filho!... Que bom que você ligou! Eu estava tão angustiada e ansiosa para falar com você...</p><p>Pude sentir seu nervosismo, a urgência em sua voz.</p><p>- O que houve exatamente, <i>okaasan</i>?</p><p>- Você tem detalhes sobre o terremoto? Viu ou ouviu algo a respeito? – ela continuou.</p><p>- Não tive tempo. O dia foi muito corrido. O que houve? Yukiko! Ela está bem? O que aconteceu?</p><p>- Não sabemos muita coisa, mas ela estava no metrô, creio que havia saído do evento para alguma atividade cultural. Durante o terremoto, houve um acidente, com muitos feridos. Ela foi transferida para o hospital universitário. Não temos maiores informações...</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.3.1]]\n\n[[Retorna à página anterior|Cap. 28.2.1]]
<p>...</p><p>Nossa refeição foi bem tradicional: <i><div class= "tooltip"> shiro gohan <span class= "tooltiptext"> arroz branco </span></div></i>, peixe grelhado, <i><div class= "tooltip"> misoshiro <span class= "tooltiptext"> sopa de pasta de soja, com tofu e cebolinha </span></div></i>, <i><div class= "tooltip"> tsukemono <span class= "tooltiptext"> legumes em conserva </span></div></i>, <i><div class= "tooltip"> tamagoyaki <span class= "tooltiptext"> omelete japonês </span></div></i> e chá verde. Comemos só nós quatro, pois minha mãe ainda estava no quarto e meu pai havia viajado a negócios. Diverti-me muito com o pequeno Kazumi e suas frases inesperadas e cômicas. Passou boa parte do dejejum contando suas aventuras do dia anterior com amigos.</p><p>Quando ele deixava, Akemi, educadamente, pedia a palavra para me perguntar como havia sido minha noite no hospital, se tudo tinha corrido bem, se eu estava muito cansado. Disse-me que, quando eu acordasse e ela voltasse da escola, me mostraria seus últimos projetos, parte das atividades no clube de ciências.</p><p>Eu os ouvia, deleitado, e sorria levemente. Yukiko, sempre ágil, os atendia enquanto providenciava sua própria comida. Estava sendo um início de manhã tranquilo e delicioso. Tudo o que eu necessitava para relaxar depois das tensões da noite de atendimentos e cirurgias.</p><p>- Qual a sua programação, Yukiko? - perguntei à minha esposa, desviando o olhar das crianças.</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.2.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 28.1]]\n\n
<p>...</p><p>Cheguei em casa pela manhã, pois tinha trabalhado até o final do turno da noite. Entrei em nosso quarto e vi que as luzes estavam acesas e minha mulher, já de pé e arrumada.</p><p>- Já acordada, Yukiko?</p><p>-Ah! Akira! <I><div class= "tooltip"> Ohayō <span class= "tooltiptext"> Bom dia </span></div></i>! – me lançou um sorriso aberto e se encaminhou até mim para me dar um beijo de bom dia.</p><p>- Vai sair tão cedo?</p><p>- Daqui há pouco. Esqueceu? Viajo para participar do congresso de educação em Osaka. O evento começará amanhã e durará três dias. Fui selecionada para representar minha escola. A professora assistente se encarregará de meus alunos. As crianças ficarão aos cuidados da sua e da minha mãe e irão normalmente ao colégio. Mas gostaria de acordá-las para tomarmos café juntos, prepará-los e me despedir.</p><p>- É verdade... Perdi a noção do tempo. Você havia comentado sobre o congresso faz um mês ou algo assim... Ainda não tomou café, então, <i>ne</i>?! – lhe perguntei.</p><p>- Ainda não. Vou ver as crianças primeiro. E, como disse, gostaria de comer com elas. Por que você não toma um banho, para relaxar do plantão, e desce para nos acompanhar? Depois poderá dormir um pouco, sossegado. Estará tudo bem tranquilo com as crianças na escola. Ninguém irá incomodá-lo.</p><p>- Boa recomendação! Você poderá me esperar?</p><p>- <i>Hai</i>... Há tempo. E eu não deixaria de tomar café com meu querido <i><div class= "tooltip"> otto <span class= "tooltiptext"> marido (de quem fala) </span></div></i>!!! – completou dando sua famosa piscadela de olho.</p><p>Dirigi-me satisfeito para o banheiro. O plantão havia sido cansativo, mas o prêmio, poder estar em casa com minha família, era valioso.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 28.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 28.\tNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.]]\n\n
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]