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This story was created with Twine and is powered by TiddlyWiki. The Responsive Story Format is by Emmanuel King Turner. Twitter: @stormrose
<p>Foi, então, que o vi. Era alto, magro, musculoso, levemente moreno, com o cabelo liso, negro e curto, mas com uma franja que lhe caía um pouco sobre os olhos. Surpreendi-me, pois, na verdade, já o tinha visto. E ele me havia causado uma impressão, sim! Não a mesma que alterava as colegas de todas as turmas. Ainda assim, contudo, uma forte impressão...</p><p>Sem se importar com as fãs ou com os rivais, cumprimentou com um sorriso sutil e meio desinteressado, mas de forma amigável, seus companheiros de equipe. Dirigiu-se ao professor, recebeu algumas instruções e fez um treino rápido. Era mesmo um excepcional nadador. Ótima técnica, velocidade impressionante. Soube pelo meu colega que haveria uma competição entre colégios no final do mês e que ele era um importante representante da nossa equipe.</p><p>- Pena, completou ele, que não conseguia ser um indivíduo sociável.</p><p>Fiquei voltada para a sua direção; não estava, porém, de fato olhando para ele. Minha mente divagava tentando recolher as impressões que havia tido de Nakamura-<i>senpai</i> nas ocasiões em que o tinha visto pelos corredores e salas do colégio durante esta semana. E, como estava em outro mundo, não ouvi quando o professor me chamou para o teste. Ele teve que me chamar mais uma vez, acrescentando, em alto e bom som, que piscina não era lugar para dormir acordada.</p>[[>> Continua| Cap. 7.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| Cap. 7.2]]\n
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<p>Não preciso nem dizer que o episódio não passou despercebido da torcida feminina de Nakamura-<i>kun</i>. Até porque eu estava voltada para a piscina de onde ele tinha acabado de sair. O que consegui foi angariar hostilidades pelo resto das aulas daquele dia e da semana. O fato de eu não me ter saído tão bem no teste tampouco contribuiu para minha popularidade, apesar de não ter sido tão ruim a ponto de me excluir da atividade.</p><p>Esbarrões; ver meu uniforme derrubado no chão úmido do vestiário; levar um banho de chá, fruto de um encontrão proposital durante o almoço; encontrar minha bolsa jogada sobre o mais alto armário da sala após um intervalo foram algumas das situações desagradáveis que tive que aturar por vários dias. Tudo devido à impressão equivocada daquelas fanáticas sobre meu interesse por seu ídolo. Também ouvi frequentes piadinhas sobre minha participação no <div class= "tooltip"> clube <span class= "tooltiptext"> As escolas japonesas têm variadas atividades extraclasse organizadas no que nós chamaríamos "clubes", sob supervisão de professores e coordenação de estudantes, que ampliam as suas atividades curriculares. </span></div> de <i>manga</i> e <i>anime</i>, junto ao que elas chamavam de “esquisita coleção de patéticos <i>nerds</i>”. E cochichos sobre a petulância de “alguém tão sem habilidades pretender despertar a atenção de um exemplar perfeito como Nakamura-<i>kun</i>”. Aff!!!!</p><p>Sem dúvida, foi uma primeira quinzena de aulas bem estressante. E tudo por conta de um tipinho arrogante e frio que era adorado por todas. E eu nem entendia por quê!!! Ainda assim...</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 7.\tDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| Cap. 7.3]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]\n
<p>A semana foi passando lentamente. Cada novo dia, uma experiência a mais nessa nova realidade.</p><p>Para minha felicidade, vi que o colégio tinha piscina. Eu não gostava muito de atividades físicas. A exceção era nadar. Nunca fui brilhante nadadora, nem candidata a equipes de competição desportiva, mas dava para o gasto. Apresentei-me, pois, ao professor responsável para solicitar que eu fizesse minha educação física junto à equipe de natação. Aí começaram meus desafios...</p><p>Ao longo desse tempo, tinha ouvido falar de um tal Nakamura-<i>kun</i>. As garotas suspiravam por ele. Os rapazes ora o admiravam, ora pareciam sentir inveja e ciúmes de seu sucesso, em especial entre o público feminino. Era um <i><div class= "tooltip"> senpai <span class= "tooltiptext"> veterano </span></div></i>. Estava no segundo ano. Portanto, eu ainda não tinha tido a oportunidade de vê-lo. (Ao menos, assim acreditava...) De qualquer forma, não dei importância ao tema. Tinha outras metas na cabeça e, definitivamente, não pretendia entrar para o clube das suspiradoras anônimas, como a personagem de um <i><div class= "tooltip"> dorama <span class= "tooltiptext"> drama televisivo japonês </span></div></i> qualquer.</p><p>Quando cheguei, certa manhã, para o primeiro teste da equipe de natação, vi uma comoção entre as meninas. Na verdade, a agitação correu pela turma em geral, posto que também os rapazes olhavam para o portão de entrada do parque aquático com comentários entre dentes. Um colega do clube de <i>manga</i> e <i>anime</i>, que também tinha se apresentado para a natação, me cutucou discretamente e disse:</p><p>- Ah! Ali está o motivo de tanto agito. Nakamura-<i>senpai</i>.</p>[[>> Continua| Cap. 7.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| Cap. 7.1]]\n
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
<p>Após essa primeira atividade, fomos para nossas salas. Pude, então, começar a conhecer meus colegas e percebi que me enturmar não seria muito simples. Havia, nitidamente, um grupo de “estrelas”, juntas como uma constelação compacta, que fazia questão de luzir suas qualidades. Eram alunos e alunas com grande desempenho escolar anterior, durante o secundário, que se conheciam e mantinham certa amizade ou coleguismo. Também havia alguns isolados, tímidos, retraídos, até meio assustados, que tentavam se manter invisíveis. Um ou outro aluno se destacava por certa indisciplina rebelde, também protegidos em seus grupinhos.</p><p>Ao longo do dia, consegui ainda verificar alguns estudantes que entrariam na categoria de <i><div class= "tooltip"> nerds <span class= "tooltiptext"> Neste caso, pessoas muito dedicadas a um hobby com comportamento, de certa forma, antissocial. </span></div></i> esquisitões. Estes não pareciam importar-se muito com o que passava à sua volta, nem com a aprovação dos demais. Eram inteligentes, mas se caracterizavam por demonstrar interesse por temas e atividades não tão populares. Então, ficavam à margem, socialmente falando. Mas, nem por isso, pareciam ceder ou ser vítimas do <i><div class= "tooltip"> bullying <span class= "tooltiptext"> intimidação; prática de atos violentos repetitivos contra pessoas mais fracas </span></div></i> que costumava reinar em escolas de segundo grau. Eu, de certa forma, sentia simpatia por esses <i>nerds</i>, dado o meu interesse por <i>manga</i> e coisas relacionadas a aventuras. Ainda assim, procurei me manter discretamente na posição de observadora por mais um tempinho. Soube que muitos deles faziam parte do clube de <i><div class= "tooltip"> manga <span class= "tooltiptext"> histórias em quadrinhos japonesas </span></div></i> e <i><div class= "tooltip"> anime <span class= "tooltiptext"> desenhos animados japoneses </span></div></i> do colégio. Provavelmente, acabaríamos sendo companheiros de atividades, pois eu pretendia participar desse clube.</p><p>A manhã e a tarde passaram sem maiores incidentes. (A não ser por aquele garoto, claro...) Voltei para casa com a sensação de que tudo correria bem nesse colégio, apesar de ainda sentir muita falta de meus amigos e minha cidadezinha. A vida, contudo, anda para adiante. E desafios são algo positivo!... Eu acho... Foi isso que disse em casa aos meus pais, quando voltei e me perguntaram pelo meu dia.</p><p>...</p>[[>> Continua| Cap. 7.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 7.\tDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo]]\n
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Desafios e enfrentamentos. ..."| 7.\tDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos.\n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para "Desafios e enfrentamentos. ..."| 7.\tDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n
<b><h2>Desafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo</h2></b>\n\n\n<i><small> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É impressionante como o cotidiano escolar adolescente pode ser um microuniverso<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;pulsante de deleites, curiosidades e agressões. Mais interessante, ainda,<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;é como essas mentes jovens podem despertar olhares que tecerão sonhos.</small></i>\n\n\n\n<p>-Yukiko! Por favor, mais energia, sim?! Não vá se atrasar logo no primeiro dia, certo?! – ouvi minha mãe dizer, enquanto eu, pensativamente, remexia meu café da manhã.</p><p>- Ãh?! Não se preocupe, <i><div class= "tooltip"> okaasan <span class= "tooltiptext"> mãe </span></div></i>, já acabei! <i><div class= "tooltip"> Itte kimasu <span class= "tooltiptext"> Despedida ao se sair de casa, significa literalmente, "eu vou mas volto". </span></div></i>!!! – levantei de supetão e me despedi, agarrando minha bolsa, colocando meu sapato e saindo rapidamente pela porta de entrada de nosso pequeno apartamento.</p><p>Tive que andar um bocado e ainda tomar o metrô para chegar ao colégio. Este era um prédio grande, pomposo, com instalações modernas e bem completas. Eu me sentia estranha com aquele uniforme novo e naquele lugar, tão diferente da minha vida escolar anterior em nossa cidadezinha. Talvez estivesse um pouco intimidada, talvez apenas ansiosa com a novidade...</p><p>Localizei minha turma, mas vi que deveríamos nos dirigir ao auditório para a cerimônia de abertura do curso. Não conhecia ninguém. Eu podia perceber pelos olhares e sorrisos, no entanto, que vários haviam estudado juntos antes, em outras escolas. Mas isso não seria um problema! – pensava comigo mesma. – Relacionamentos podem ser construídos... E haveria jovens ali que compartilhassem gostos ou afinidades comigo. Decidi, então, ficar mais calada e observar.</p><p>A cerimônia até que foi bem legal! Com discursos, apresentação de professores, instruções sobre atividades e instalações. E, apesar de tudo isso, não foi excessivamente longa. Objetividade parecia ser uma tônica por ali...</p>\n[[>> Continua| Cap. 7.1]]\n
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\n[[Desafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.| 7.\tDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo]]\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]\n