<p>- <i><div class= "tooltip"> Konnichi wa <span class= "tooltiptext"> Boa tarde </span></div></i>, <i><div class= "tooltip"> sensei <span class= "tooltiptext"> professor </span></div></i>. Vim para fazer o teste de tempo.</p><p>- Ah, Nakamura-<i>kun</i>. Perfeito! Estava esperando por você. Fique na raia 5. Vou dar o sinal. Vamos verificar seu tempo no nado livre.</p><p>"Tranquilo!" - pensei. "Vamos!" Ouvi o sinal, me lancei na água e acelerei o máximo que pude, controlando a relação entre esforço e distância a percorrer, cuidando bem o aspecto técnico.</p><p>- Excelente! Acabou de superar seu último melhor tempo. Se continuar assim, vencerá sem dúvida!</p><p>Saí da piscina e, exatamente naquele momento, ouvi a voz de outro professor de natação, o que se encarregava de um grupo de calouros. Olhei, sem pensar, na sua direção e vi que chamava a atenção de uma garota que tinha os olhos plantados em mim. Ao menos era o que parecia. Ela estava tão desligada que nem escutou quando ele a chamou para o teste.</p><p>"Tsch!!!" – pensei – <i><div class= "tooltip"> "Baka <span class= "tooltiptext"> Idiota, estúpida! (uso vulgar, pouco comum nas situações reais cotidianas do idioma) </span></div></i>!!!" Deve ser péssima nadadora. Imagino que não terá nada na cabeça, tampouco. Ao invés de prestar atenção no que está fazendo, fica olhando perdida para os outros! Que pedaço infeliz de criatura!</p><p>Não dei mais voltas ao tema. Virei-me, peguei uma toalha e me encaminhei ao vestiário. Ainda tinha uma aula antes de voltar para casa e não queria atrasar-me.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 9.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 9.\tPrimeiras impressões de Nakamura-kun. Ela é uma garota irritante!]]
<p>- Nakamura-<i>senpai</i>!</p><p>Levantei a cabeça e vi um aluno alto, magricela, com uma cabeleira espessa e um sorriso brincalhão no rosto. Ele parecia querer se espremer entre minha cadeira e a da mesa ao lado, indo para um lugar mais ao fundo do salão. Demorei um pouco a reconhecê-lo.</p><p>- Yamamoto-<i>san</i>, não é?! Você entrou para a natação recentemente, certo?!</p><p>- <i>Hai</i>! Exato! Quanta honra que me reconheça, <i>senpai</i>! Nós do clube de <i>manga</i> e <i>anime</i> costumamos ser bastante ignorados no colégio – me disse com alguma ironia.</p><p>- Tenho muito boa memória – respondi secamente.</p><p>- Ahã... Poderia fazer o favor de nos dar passagem? Gostaríamos de sentar naquela mesa ali – continuou ele, com a mesma displicência e ironia.</p><p>Confesso que não gostei do tom, mas decidi que era melhor fazer o que ele próprio esperava de mim: ignorá-lo. Ou seja, não dar resposta nenhuma e voltar a admirar minha comida. Antes, porém, de baixar a cabeça, vi que ele estava acompanhado de uma garota... De onde mesmo a conhecia??? Ah, sim... era a que tinha levado uma chamada do professor de natação por estar divagando na hora do teste, por estar olhando na minha direção. E, para meu descontentamento, ela estava fazendo isso de novo. Seu olhar era entre curioso e perplexo. Por que diabos aquela menina estaria me encarando? Em que estaria pensando?</p>\n[[>> Continua|Cap. 9.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 9.2]]
<p>Eu preferia comer num recanto do colégio cheio de pequenas mesas, uma sala ampla, com janelas grandes de vidro dando para fora, ao invés de ficar na sala de aula. Isso, apesar do incômodo de me ver cercado por tantos alunos e, muitas vezes, ser alvo de atenções indesejáveis. Entrei, então, no amplo e iluminado espaço, cheio de mesas e ruídos de gente conversando. Não estava interessado, na verdade, em socializar com ninguém. Era, no entanto, confortável estar naquele lugar mais aberto, em meio a pessoas que não conhecia diretamente, como meus colegas de turma. Poderia me sentir mais anônimo.</p><p>Infelizmente, meus desempenhos acadêmico e desportivo criavam dificuldades para que eu me misturasse e me perdesse na multidão. Sendo assim, tentava ignorar as aproximações, os risinhos e olhares indiscretos. Escolhia uma pequena mesa de dois lugares, próxima à grande janela que dava para o pátio, e ficava olhando para fora, distraído com meus próprios pensamentos.</p><p>Hoje estava chovendo e escuro. Não havia muito o que apreciar. A mesa também já estava ocupada. Passei pelo meio das várias mesas e me sentei, portanto, um pouco adiante do meu local preferido. Distraí-me com a comida.</p>\n[[>> Continua|Cap. 9.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 9.1]]
<p>Vi quando ela segurava a mão de Yamamoto e o puxava em direção à mesa, esbarrando rispidamente na minha cadeira. Ainda pude ouvir a risada dele, que parecia divertir-se com a sua explosão.</p><p>O incidente me tirou o apetite. Ademais, o ambiente estava muito ruidoso. E eu podia sentir olhares dissimulados na minha direção. Como aquela garota ousava criar uma situação que me punha em evidência e acentuava o já incômodo hábito desse pessoal, em especial das meninas, de ficar me seguindo com os olhos e falando de mim quando eu passava?! Ela era irritante e abusada! Sequer havia respeitado o fato de eu ser mais antigo no colégio do que ela, uma simples caloura...</p><p>Saí contrariado do salão, sem voltar a cabeça para onde eu sabia que eles estavam. Consegui me distrair nas aulas do resto do dia e esquecer aqueles dois. Mas não tinha ideia do quanto ainda ela iria agitar minha vida...</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 9.\tPrimeiras impressões de Nakamura-kun. Ela é uma garota irritante!]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 9.4]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<p>- Parece-me, Yamamoto-<i>san</i>, que sua namorada perdeu alguma coisa no meu prato, ou quer olhar através de mim. Assim vocês dois vão acabar tropeçando, na tentativa de chegar à sua mesa.</p><p>- Ora, <i>senpai</i>, me desculpe. Esta é Hayashi-<i>chan</i>, uma colega de turma e do clube. Também está na equipe iniciante de natação.</p><p>Dei-lhes um olhar seco, voltei a abaixar a cabeça e retomei minha refeição, sem lhes dizer uma palavra sequer.</p><p>- Pode tirar esse olhar de desdém do rosto, <i>senpai</i> – exclamou a garota. Não estou olhando para você! Nem sou namorada de ninguém! Muito menos vou tropeçar por causa de alguém tão desagradável, arrogante, mal-educado e apático!</p><p>- Uhmmm?!... – apenas murmurei.</p>\n[[>> Continua|Cap. 9.5]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 9.3]]
/* Tooltip container */\n.tooltip {\n position: relative;\n display: inline-block;\n border-bottom: 2px dotted blue; /* If you want dots under the hoverable text */\n}\n\n/* Tooltip text */\n.tooltip .tooltiptext {\n visibility: hidden;\n width: 120px;\n background-color: #555;\n color: #fff;\n text-align: center;\n padding: 5px 0;\n border-radius: 6px;\n\n /* Position the tooltip text */\n position: absolute;\n z-index: 1;\n bottom: 125%;\n left: 50%;\n margin-left: -60px;\n\n /* Fade in tooltip */\n opacity: 0;\n transition: opacity 0.3s;\n}\n\n/* Tooltip arrow */\n.tooltip .tooltiptext::after {\n content: "";\n position: absolute;\n top: 100%;\n left: 50%;\n margin-left: -5px;\n border-width: 5px;\n border-style: solid;\n border-color: #555 transparent transparent transparent;\n}\n\n/* Show the tooltip text when you mouse over the tooltip container */\n.tooltip:hover .tooltiptext {\n visibility: visible;\n opacity: 1;\n}\n
<b><h2>Primeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!</h2></b>\n\n\n<i><small> O diferente, na maioria das vezes, nos causa repulsa ou medo.<br> Tem o poder de nos tirar de nossa zona de conforto.</small></i>\n\n\n<p>Cheguei à piscina calmamente, como era meu costume. Percebi, embora não desse qualquer atenção, a comoção que se criava à minha entrada no parque aquático. Era sempre a mesma velha história: minhas notas, meu desempenho desportivo, minha aparência, minha família... Suspiros e olhares ansiosos. Tudo profundamente entediante! Queria muitíssimo poder ficar livre de todo esse circo! Poder passar despercebido. Não precisar ficar na defensiva, nem dizer tantos nãos...</p><p>Na minha própria turma e na equipe de esporte, havia conseguido desenvolver uma convivência tranquila e equilibrada. Tratávamo-nos com respeito e cortesia, mas sem intimidade. Meu espaço privado era meu. Não admitiria invasões! Eu fazia a minha parte; todos o faziam. ...E a engrenagem se mantinha em movimento harmônico. Assim, entrei no parque aquático e cumprimentei meus companheiros com um breve sorriso, guardando certa distância protocolar. Eram bons camaradas de equipe, não meus amigos!</p><p>Bem... pensava eu enquanto me aproximava do professor, em umas semanas teríamos uma das provas do campeonato intercolegial. Isso não me preocupava nem um pouco. Minha preparação física e técnica estava excelente. Mesmo com ótimos nadadores na equipe, eu sabia que nenhum deles me superava e, seguramente, não seria um problema o enfrentamento com outras equipes nessa primeira fase. Afinal, eu costumava acompanhar o desempenho dos vários times, conhecê-los e me preparar conforme.</p>\n[[>> Continua|Cap. 9.1]]\n
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n <img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Primeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. ..."| 9.\tPrimeiras impressões de Nakamura-kun. Ela é uma garota irritante!]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos.\n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n[[Ir para "Primeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. ..."| 9.\tPrimeiras impressões de Nakamura-kun. Ela é uma garota irritante!]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\n[[Primeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!| 9.\tPrimeiras impressões de Nakamura-kun. Ela é uma garota irritante!]]\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]\n